Encarando a morte em
VarsóviaOS JUDEUS POLONESES FORAM O PRIMEIRO POVO A SE REBELAR CONTRA A DOMINAÇÃO DOS ALEMÃES
Em Agosto de 1941, as condições sanitárias do Gueto de Varsóvia, capital da Polônia, atingiram ao seu ponto mais baixo. Naquele mês morreram 5 560 judeus, 185 mortos a cada dia, um novo cadáver a cada 8 minutos. A fartura de corpos sem vida era tanta, que alguns prisioneiros tentavam deixar o gueto misturando-se a eles. Essa era uma das únicas maneiras de escapar dali, já que qualquer tentativa de fuga era punida com morte imediata e no local em que a vítima fosse apanhada, fossem velhos, mulheres ou crianças. Quando invadiram a Polônia, em Setembro de 1939, os alemães cercaram o bairro judeu com um muro de 3 metros de altura. Para os nazistas, o gueto seria o local perfeito para manter os judeus até as transferência final para os campos de concentração. Mas nada desencorajava os moradores a fugir. Permanecer no gueto era morte certa de inanição. A ração mensal era de 1kg de pão, 250gramas de açúcar, 100gramas de doce e 50gramas de gordura. Segundo cálculos feitos pelo oficial encarregado de receber judeus e mandá-los para campos de concentração, Waldemar Schvn, a população do Gueto de Varsóvia chegou a 590mil pessoas. Todos esperavam resignados até 19 de Abril de 1943, dia em que os judeus do gueto se rebelaram. Durante 28 dias enfrentaram, a tiros e granadas, o poderoso exército alemão. Foram massacrados 56mil moradores, os que escaparam foram levados para os campos de extermínio, mas nem todos. Dos 27mil prédios existente no gueto, só oito ficaram de pé. Escondidos neles e nas ruínas, as tropas da SS descobriram 56 065 judeus que tentavam escapar dali, segundo Gerhard Schoemberner, autor de A Estrela Amarela. Todos foram presos. Mas o gesto de desespero e coragem foi a primeira revolta contra o exército alemão. E mostrou, afinal, que o inimigo podia ser enfrentado.
AUSCHWITZ
NO MAIOR CAMPO DE EXTERMÍNIO ALEMÃO, JUDEUS ERAM MORTOS E OS "SUBPRODUTOS" DE SEUS CORPOS APROVEITADOS COMO NUM PROCESSO INDUSTRIAL.
Quando as tropas soviéticas derrotaram os exércitos nazistas em território polonês e passaram pelos portões de ferro do campo de AUSCHWITZ, sentiram imediatamente um cheiro nauseante de cabelo e carne humanos queimados. O fedor vinha da fumaça cinzenta que saia pelas chaminés ainda quentes que existiam ali. Os poucos mais de 5 mil sobreviventes encontrados em condições subumanas nos extensos dormitórios mal tinham forças para revelarem os horrores a que foram submetidos. Vários sucumbiram ao receber a primeira refeiçãodecente após a libertação: estavam desacostumados a alimentar-se. Outros tantos não resistiram as doenças, como pneumonia e tifo. As dependências de AUSCHWITZ não mostravam o que aquilo que realmente era, um complexo sistema projetado pelos os alemãespara exterminar judeus em grande escala. A entrada do localostentava, no portão, a expressão em alemão "Arbeit macht frei", ou " O Trabalho Liberta". "A frase inocente, acobertava a carnificina perpetrada ali ao longo de anos". Mas exames mais detalhados mostrariam que tudo ainda era pior. Compartimentos secretos do que pareciam ser vestiários ocultavam roupas, calçados e objetos de valor- incluindos dentes de ouro, arrancados à força- dos presos. Para economizar espaço e eliminar provas, os defuntos eram lançados em fornalhas, de onde sairiam em forma de cinzas. O Escritor Art Spiegel, que contou no seu livro Maus: a História de um sobrevivente as desventura de um pai em um campo de concentração, diz que a gordura que pingava desses cremados era recolhida: ela ajudava a incendiar outros tantos cadáveres, despejados em valas comuns. Os administradres de AUSCHWITZ se comportavam como homens de negócios. Assim que as famílias desciam dos vagões,eram separadas de acordo com sua capacidade de trabalhar. Na primeira triagem eram classificadas por sexo e idade. aqueles considerados aptos a executar trabalhos braçais tinham a benesse da sobrevida. Velhos e crianças pequenas seguiam para execução sumária.

AUSCHWITZ

O filme "Diários de motocicleta", de Walter Salles, que estreou no início de maio, revela uma imagem pouco conhecida de Ernesto Che Guevara, o lendário líder revolucionário que ajudou Fidel Castro a chegar ao poder em Cuba.
Ernesto Guevara ainda era estudante de medicina quando resolveu, com o amigo Alberto Granado, percorrer a América Latina em cima de uma velha moto, apelidada de "La poderosa". As andanças da dupla foram registradas pelo futuro guerrilheiro em seu relato "Notas de viaje" e por Granado em "Con el Che por Sudamérica", livros que serviram de base para o filme de Salles, que é falado em espanhol.
Che, vivido no filme pelo mexicano Gael García Bernal, tinha 23 anos quando começou a viagem. O bioquímico Granado, interpretado pelo argentino Rodrigo de la Serna (primo em segundo grau de Che, o que Salles só descobriu depois de escolhê-lo), tinha 29 e se definia como um "cientista vagabundo".
Ernesto e Granado partiram da Argentina em 1952, dispostos "a vagar sem rumo pela América". Na verdade, pretendiam percorrer oito mil quilômetros em oito meses. A moto era valente, mas não resistiu aos obstáculos. Os dois foram obrigados a pedir carona e viajaram de caminhão, de barco, de avião, a pé.
O filme de Salles não retrata o guerrilheiro que ajudou a derrubar o ditador Fulgêncio Batista, mas mostra o despertar de sua consciência social. O jovem de classe média alta, namorado de Chichina (Mía Maestro), amadurece ao longo da travessia, que de início é feita mais de farras, sexo e humor e aos poucos vai se transformando numa descoberta das profundezas da América Latina.
- "Diários" é uma viagem iniciática sobre dois jovens que partiram para uma aventura e acabaram encontrando uma realidade social e política que iria transformá-los para sempre - diz Salles. - Ernesto viveu e morreu por esse continente. E Granado é hoje um jovem de 83 anos que vive em Havana, e cuja vida também foi norteada pelo idealismo.
Mas quem foi, afinal, Ernesto Che Guevara?
O autor da frase Hay que endurecer, pero sin perder la ternura jamás, uma das mais reproduzidas do século, nasceu em 1928 na Argentina, onde se formou médico e apaixonou-se pelo comunismo. Em 1953, recém-formado e recém-chegado da viagem com Granado, resolve ir para a Guatemala ajudar o Governo esquerdista de Jacobo Arbenz, derrubado um ano mais tarde num golpe apoiado pelos Estados Unidos.
O guerrilheiro foge para o México, onde conhece os irmãos Fidel e Raul Castro e se une a um pequeno grupo de revolucionários comandado por eles. Em 1956, Guevara, Fidel e Raul desembarcam em Cuba e se refugiam na Sierra Maestra, de onde comandam o exército rebelde na bem-sucedida guerrilha que derrubou o Governo de Fulgêncio Batista.
Depois da vitória, em 1959, Che torna-se cidadão cubano e vira o segundo homem mais poderoso de Cuba. Marxista-leninista convicto, é apontado por especialistas como o responsável pela adesão de Fidel ao bloco soviético e pelo confronto do novo Governo com os Estados Unidos.
Guevara queria levar o comunismo a toda a América Latina e acreditava apaixonadamente na necessidade do apoio cubano aos movimentos guerrilheiros da região e também da África. Da revolução em Cuba até sua morte, amargou três malsucedidas expedições guerrilheiras. A primeira na Argentina, em 1964, quando seu grupo foi descoberto e a maioria morta ou capturada. A segunda, um ano depois de fugir da Argentina, no antigo Congo Belga, mais tarde Zaire e atualmente República Democrática do Congo. E por fim na Bolívia, onde acabaria executado.
Sem a barba e a boina tradicionais, disfarçado de economista uruguaio, Che Guevara entrou na Bolívia em novembro de 1966. A ele se juntaram 50 guerrilheiros cubanos, bolivianos, argentinos e peruanos, numa base num deserto do Sudeste do país. Seu plano era treinar guerrilheiros de vários países para começar uma revolução continental.
Guevara foi capturado em 8 de outubro de 1967. Passou a noite numa escola de La Higuera, a 50 quilômetros de Vallegrande, e, no dia seguinte, por ordem do presidente da Bolívia, general René Barrientos, foi executado com nove tiros numa escola na aldeia de La Higuera, no centro-sul da Bolívia, no dia seguinte à sua captura pelos rangers do Exército boliviano, treinados pelos Estados Unidos.
Sua morte, no dia 9 de outubro de 1967, aos 39 anos, interrompeu o sonho de estender a Revolução Cubana à América Latina, mas não impediu que seus ideais continuassem a gozar de popularidade entre as esquerdas.
Os boatos que cercaram a execução de Che Guevara levantaram dúvidas sobre a identidade do guerrilheiro. A confusão culminou no desaparecimento dos seus restos mortais, encontrados apenas em 1997, quando o mundo recordava os trinta anos de sua morte,- sob o terreno do aeroporto de Vallegrande. O corpo estava sem as mãos, amputadas para reconhecimento poucos dias depois da morte, e contrabandeadas para Cuba.
Em 17 de outubro de 1997, Che foi enterrado com pompas na cidade cubana de Santa Clara (onde liderou uma batalha decisiva para a derrubada de Batista), com a presença da família e de Fidel. Embora seus ideais sejam românticos aos olhos de um mundo globalizado, ele se transformou num ícone na história das revoluções do século XX e num exemplo de coerência política. Sua morte determinou o nascimento de um mito, até hoje símbolo de resistência para os países latino-americanos.
SS & Gestapo
Quem era preso por elas não tinham direito a julgamento. Matavam judeus, ciganos e homossexuais e enriqueceram explorando os campos de concentração.
Os dois nomes causavam arrepios de medo na Alemanha: Geheime Staatspolizei ( Polícia Secreta do Estado, a Gestapo ) e Shutzstaffel ( Esquadrão de Proteção, a SS). Eram organizações que levavam a brutalidade às últimas conseqüências para exterminar, mesmo antes da guerra, judeus, ciganos, homossexuais, doentes mentais, opositores do regime, intelectuais e líderes sindicais. E nada podia ser feito contra elas, já que os presos não tinham direito de apelar para um tribunal.
A Polícia Secreta foi criada em 1933 com o objetivo de suprimir toda e qualquer oposição ao regime do recém-empossado Führer ( líder em alemão ). Hermann Göering (1893-1946 ), então ministro do interior, reorganizou as unidades da polícia política e de espionagem sob seu comando direto, com o nome de Gestapo. Os membros eram recrutados entres ao filiados e simpatizantes do Partido Nacional Socialista. A agremiação de Hitler.
A Shutzstaffel, mais conhecida como SS, já operava há mais tempo. Foi criada pelo próprio Hitler, em 1925, como sua guarda pessoal. Em 1929, passou a ser comandada por Heinrich Himmler ( 19000-1945), que transformou o grupo de menos de 300 membros em um exército de mais de 50 mil homens quando Hitler assumiu o poder.
Himmler recrutava aqueles que considerava "racial e fisicamente perfeito". Também patrocinou uma organização, a Lebesborn, para que esses homens casassem com mulheres "racialmente puras" e procriassem. "Em 1939, Himmler foi apontado como comissário do Reich para o fortalecimento da Germanidade. No posto, ele supervisionava programas de assentamentos brutais durante a guerra para espalhar a cultura alemã por toda a Europa. A idéia era germanizar o Leste Europeu, com robustos colonizadores alemães dominando vastas áreas onde implantariam a cultura e a raça germânicas", afirma Richard Bessel, autor de vários livros sobre a Alemanha Nazista, entre eles Nazism and War ( "Nazismo e Guerra", inédito no Brasil).
Em 1934, Göering nomeou Himmler para acumular a chefia da Gestapo. Ambas operavam acima da Lei e seus membros tinham apenas de responder a ele e a Hitler. Isso explica, segundo o historiador Bessel, por três fatores: "Em primeiro lugar, a SS era uma organização do partido nazista e não do Estado. Em segundo lugar, Himmler se tornou chefe de toda a força policial alemã o que lhe poder de fazer prisões arbitrárias e manter em 'custódia preventiva' centenas de pessoas. E por último, a partir da instalação do campo de Dachau ( perto de Munique) em 1933, a SS desenvolveu e estendeu seu controle em campos de concentração", afirma Bessel, que também é professor da Universidade de York, na Grã-Bretanha.
Entre as atividades perpetradas por ambas organizações, destacam-se algumas: os nazistas construíram e lucraram em cima de um enorme império de campos de concentração, que tinha pelo menos 700 mil internos no começo de 1945. Eles criaram uma gigantesca força militar, a Waffen-SS, que se envolveu em duras batalhas e que contabilizava, no final da guerra, pelo menos 800 mil homens. Eles levaram a cabo uma maciça e brutal remoção de centenas de milhares de pessoas de suas casas no Leste Europeu. em termos gerais, a SS e a Gestapo obtiveram êxito em fazer um extermínio em massa numa escala sem precedentes até hoje."
MÉTODOS DE ASSASSINATO EM MASSA
Além dos campos de extermínio, os nazistas criaram outras formas brutais de assassinato em massa. Uma das mais eficientes e baratas era o caminhão de gás. O método começou a ser usado no Leste Europeu. Os oficiais nazistas insuflavam a população local contra as comunidades judaica e cigana. Com a ajuda deles, soldados da SS embarcavam os prisioneiros em caminhões com capacidade para até 40 pessoas. A traseira dos veículos era vedada e a ela era ligado o cano de escapamento. enquanto eram levados para uma vala comum, os passageiros morriam sufocados com o gás carbônico expelido pelo caminhão. Outra forma era usada para matar os indesejáveis era mais humilhante. Todos os detidos eram obrigados a tirarem suas roupas, incluindo as mulheres. Depois, ordenavam que deitassem em valas. Após matar um grupo inteiro com tiros na nuca, obrigavam os outros a deitarem em cima dos corpos já sem vida. E assim em diante, até enterrar todos juntos, alguns ainda agonizantes.
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